As desventuras do climatério, minha experiência com a menopausa

em Histórias de Vida por
women-by pixabay.com

Estou no climatério (período onde nosso corpo encerra sua vida reprodutiva e que tem duração variável de mulher para mulher), estou com cinquenta e uns anos. A exposição a seguir é de como tem sido essa experiência para mim. A ideia é trazer meu relato de forma bem pessoal, pois sei que cada mulher passa por essa experiência de forma única, mas pode se identificar com algumas dessas sensações e compreender: você não está sozinha nessa!

Engravidei na adolescência, casei, e tive três filhos, duas meninas e um menino. Entre erros acertos e muito amor os anos foram passando. Acompanhada de meu marido, vimos nossos filhos crescerem, se tornarem adultos, cada um ter sua vida, suas profissões, inclusive já temos netos.

Tudo normal, é a vida que segue seu caminho. Não trabalho fora, mas muito em casa e assim já se foram trinta e sete anos. Ao longo desses anos precisei de muita energia para dar conta de tudo. De repente as forças foram minando, a fadiga, o cansaço e o desânimo apareceram de mansinho. Aperto no peito, cabelos, unhas e pele ruim, os calores que vem e vão.

Fui à médica, fiz o acompanhamento, fiz exames, depois de muitos exames se identificou o declínio hormonal…

Passei um ano assim, me sentindo mal física e emocionalmente. Enfim o diagnóstico já esperado: estou no climatério.

bloom-by pixabay.com

Aos quarenta e dois anos precisei fazer uma histerectomia parcial, procedimento no qual retirei a parte superior do útero, mas tive os ovários e colo preservados. Normalmente temos falhas ou falta de menstruação por um período por volta dos quarenta e oito anos, claro que umas antes e outras depois, onde entramos na menopausa. Como retirei parte do meu útero não tive esses avisos.

Com o climatério ganhei uma depressão que já vinha chegando e finalmente me alcançou. Parti para a reposição hormonal, não deu certo, caminho sem ela nesse tempo. Busquei auxílio psiquiátrico e terapêutico para a depressão. Nesse tratamento passei a tomar dois remédios, após quase um ano meu médico tentou tirar um dos remédios. Os sintomas voltaram, voltamos aos remédios.

Até quando? Não sei. Mas hoje sei que estou melhor com os remédios do que sem eles.

Também vieram as dores nas articulações, perda de colágeno, unhas e cabelos fracos, pele seca, condromalácia (desgaste da cartilagem) e osteopenia (perda na densidade dos ossos). E aí veio o cálcio, a vitamina D, o sol.

Difícil aceitar.

Perda da libido, nessa hora é bom ter ao lado um companheiro que entenda o que está acontecendo com você, te respeite e não te cobre nada. Apenas espere pacientemente o teu querer.

insomnia-by pixabay.com

Também tenho insônia. Ah! A insônia, acho que nos tornamos amigas. Lemos, fazemos crochê, vemos tv, escrevemos este texto, por exemplo, durante a noite ou madrugada. Mas quando isso se torna rotina o corpo e mente cobram. Aí tento pilates, música, remédio para dormir (SEMPRE com acompanhamento médico).

O envelhecer não me assusta, as marcas no rosto, nas mãos, o corpo perdendo suas formas, estou vivendo afinal!

Mas o climatério me transformou em outra pessoa que ainda não conheço totalmente. Já se passaram dois anos e meio do início dos sintomas mais intensos. Não sei até quando, cada uma de nós tem o seu tempo.

Tenho dias bons outros nem tanto, o apoio familiar e acompanhamento médico tem sido fundamentais para mim. Mas a vinda da idade tem coisas maravilhosas também. Me descobri avó e adorei, mas essa é uma história para outro dia.

Enfim, espero que esse relato que faço aqui ajude outras mulheres. Busquem ajuda profissional, estejam mais junto dos que amam isso é fundamental nesse período. Cada mulher é única em seu tempo e seu corpo e essa fase da vida também passa, mas nesse tempo tentem se redescobrir apesar de tudo a vida é uma dádiva maravilhosa.

Adoro móveis antigos, livros, museus, viajar, um bom vinho e reunir a família em volta da mesa. Afinal sou descendente de italiano.